Novos Mundos
Em 2006 o ex-planeta Plutão foi diminuído para a categoria de planeta anão. Entretanto, vários outros mundos foram descobertos, muito divulgados, mas pouco observados. Atualmente já são muito famosos os tocadores de MP3 e MP4. Alguns MP5 já estão tomando mercado. Alguns desses mundos têm até nomes específicos, como iPod® – ainda subdivididos em outras categorias.
São milhares de mundinhos circulando pelas ruas. Uns mundos musicais, tocando músicas baixadas da internet, outros sintonizados em rádios de música ou notícia – acho que esse último mundo ainda é muito restrito, apesar de crescente. Mundinhos de apenas um habitante, quando muito dois, se alguém quer compartilhar o seu com um colega ao lado, mas só por pouco tempo, tá?
Caminhando, correndo, voando, pedalando, dirigindo, lendo, sentando, trabalhando, assistindo tv, malhando e até conversando. Crianças, adolescentes, jovens, adultos, idosos, cachorros, todos já aderiram. Todos com aqueles fiozinhos saindo das golas das camisas, das mochilas e bolsas, dos bolsos das camisas e calças. Companheiros de caminhada que antes conversavam, agora colocam seus fones e caminham lado a lado, mas cada um no seu mundinho.
Algumas pessoas já estão deixando de lado o rádio e cd player do carro e trocando-o por um MP3. Além de portátil, não atrai ladrões. Outro dia num engarrafamento vi um carro com quatro pessoas, pai, mãe, filho e filha. Cada um com seus fones, olhando pela janela mais próxima – exceto o motorista – e viajando em seu próprio mundinho.
Tenho certeza, inclusive, de que alguns utilizam seus fones como desculpa para fingir que não ouvem outras pessoas. Filhos e filhas fingem que não ouvem os pais e mães; esposos e esposas fingem que não ouviram seu cônjuge; alunos não ouvem professores – e vice versa. Você enfia o fonezinho no ouvido, sai andando por aí e faz cara de alienado quando vê aquela pessoa com quem você não quer falar. É como se você não estivesse nesse mundo, mas no seu mundinho particular.
O Fulano de Tal no escritório foi o primeiro a freqüentar seu próprio mundinho. Toda manhã ele chegava e todos o cumprimentavam com Bom dia, Fulano. E ele nada. Isoladão. Depois de duas semanas os colegas do departamento desistiram dos cumprimentos. Um dia, antes de uma reunião com a gerência, o de Tal estava completamente isolado dos outros, ouvindo um trance qualquer. Daí, um dos colegas disse Vocês sabiam que o de Tal está na lista negra da diretoria? Todos fizeram cara de piedade para o Fulano, que obviamente não ouviu nada. Ele imediatamente tirou os fones dos ouvidos e O quê? É alguma coisa comigo? Ninguém respondeu, mas todos passaram a reunião com cara de peninha para o Fulano. Depois disso, ele nunca mais visitou seu mundinho no trabalho.
Acho que num futuro breve a Teoria da Evolução substituirá os cordões umbilicais por cabos de fones de ouvido. Assim, quando os bebês nascerem, o médico vai apenas desconectar os terminais dos cabos de mãe e filho e já plugará o terminal do filho a um tocador qualquer. Os fones já estarão nos lugares dos ouvidos, é claro. Que tal?
Acho até sadio que cada um já procure seu mundinho, pois quando chegarem à velhice, surdos, eles terão seu próprio mundo e continuarão sem ouvir.
Marcelo Elias
September 7, 2008 at 11:40 pm
Querido amigo:
Depois de tantos anos resolvi me render à internet pra te procurar e te achei. Que surpresa maravilhosa ver como voce evoluiu no se trabalho; adorei sua reflexão sobre os fones de ouvido e mpqualquercoisa; devo confessar que costumo usá-los na ida e na volta do trabalho para não ficar ouvindo os sons estressantes do trânsito, mas concordo plenamente que os aparelhinhos são mesmo usados como fuga do relacionamento ruim, das más notícias, dochefe chato ou simplesmente do buzinaçodo trânsito. ;será aque isso é bom ou ruim? Sei lá, é como as coisas são.Grande abraço e saudade.
October 29, 2008 at 9:26 pm
Ei rapaz,
o seu nome é este mesmo. Somos xarás, então?
Ou seria só um psudônimo?
Um abraço,
Marcelo (Elias)