Um lugar que eu ainda quero visitar é Machu Picchu. Deve ser incrível conhecer pessoalmente o que restou de um povo tão evoluído social e intelectualmente como os Incas. E os Maias e Astecas? Povos fantásticos.
Outro dia li sobre uns tais de Bertos. Eles viveram há aproximadamente 700 anos no arquipélago de Borthoni, entre os Trópicos de Leão e Sagitário. Os restos dessa civilização foram encontrados por uma multinacional que prospectava petróleo e gás na região. Depois que os pesquisadores da empresa constataram que não havia riqueza mineral alguma nas ilhas, entregaram os relatórios com seus achados para a renomada Irwin University, na Escócia.
Segundo os estudos divulgados pelos cientistas da universidade, os Bertos foram um povo de grande organização social, além, é claro, de terem um avançado intelecto. Não se sabe ao certo porque os primeiros habitantes foram parar no conjunto de ilhas, mas encontraram-se edificações bem construídas e grandes áreas com evidência de atividade agro-pecuária.
De acordo com os registros traduzidos pelos lingüistas e as evidências coletadas por arqueólogos e sociólogos, os Bertos tinham uma organização social impecável. Todos sabiam suas funções e as cumpriam diligentemente. Desde criança, todos eram observados, suas habilidades identificadas e posteriormente desenvolvidas e, finalmente, passavam a atuar em sua comunidade.
De acordo com os estudiosos, conhecer os Bertos foi uma tarefa relativamente simples. Os registros escritos sobre todo o desenvolvimento da civilização bertoniana e toda sua organização são abundantes e bem conservados nos prédios das ilhas.
Os escritos mostram que a sociedade bertoniana estava muito bem até que… um grupo de habitantes da ilha resolveu desenvolver a língua falada! Os Bertos existiram por aproximadamente 500 anos e, durante 350 anos, eles não falavam. Essa foi a opção das primeiras famílias desbravadoras que chegaram às ilhas. Os habitantes das Ilhas Berthoni se comunicavam apenas por meio de documentos escritos e por observação das ações de outras pessoas. Estranho? Talvez. Impossível, diriam alguns? Não. Eles viveram bem durante mais de três séculos assim e em apenas 150 anos se extinguiram porque resolveram falar.
Os últimos registros bertonianos mostram que em poucas décadas a sociedade se deteriorou e os registros escritos diminuíram drasticamente. A maioria da população passou a acreditar que simplesmente contando histórias um para o outro, a História do povo se perpetuaria. Além disso, intrigas e fofocas passaram a contaminar as comunidades dos Bertos e muitos se ocupavam mais em saber das vidas alheias do que de seus afazeres.
Outro grande malefício da língua falada foram as conversas entre amigos, casais e pais e filhos. Antes, as ações e os olhares eram as formas de comunicação e o entendimento entre as pessoas era simples, sem necessidades ou excessos de explicações, desculpas ou detalhes. As conversas tornaram as relações mais complicadas porque surgiu a necessidade de se justificar ações ou se justificar as justificativas.
Incrível. Em menos de dois séculos, toda uma civilização extinta. Muitos bertonianos fugiram, outros vários morreram de estresse – muito barulho! -, famílias se acabaram por causa das brigas, mentiras surgiram aos montes… bom, pode-se imaginar todo o resto.
Visitar Machu Pichu deve ser muito interessante. Quem sabe dar uma passadinha – e ficar – nas Ilhas Berthoni seja um outro destino interessante?
[Atenção - tudo aqui é pura ficção, viu?!]
Marcelo Elias.