Esse nosso Presidente… Friday, Feb 23 2007 

… não sei o que mais fará!

Hoje, entre outros compromissos, recebeu o presidente do Corinthians. Isso mesmo, o clube de futebol. Posou para fotos com a bandeira do Timão na mão.

Todos sabem que o Lula é corinthiano e que ele adora futebol, basta prestar atenção às pobres e repetitivas metáforas que o Presidente usa em seus discursos.

Não vejo isso como problema, mas tenho certeza de que o Lula tem coisas muito mais importantes para fazer. A primeira delas é definir a tal equipe de ministros. Desde de outubro de 2006, quando foi eleito, Lula está enrolado com essa terefa. Toda semana ele protela o anúncio. Não agüento mais essa coisa.

Tenho uma conhecida que trabalha no Ministéiro da Saúde e ela me disse que está tudo parado. O ministro não sabe se fica, sua equipe também e tudo está atravancado.

Eu gostaria de escrever mais, mas fica para a semana que vem, como o anúncio do Ministério do Lula.

Marcelo Elias.

É a Sofia! Thursday, Feb 8 2007 

girlPois é! Lá vem a Sofia.

Em uma ultra-sonografia morfológica ontem, 7/fev, o médico confirmou as suspeitas da Cândice e os nossos constantes sonhos com uma menininha.

O exame mostrou que está tudo bem com a Sofia… coração, cérebro, rins, coluna… e a idade gestacional é de aproximadamente 23 semanas. Já estamos na segunda metade da gestação e há três meses do início de mais uma maratona da vida.

Só consigo imaginar Clara e Sofia brincando, conversando, saindo juntas…

Obrigado, Cândice. Você é nossa fortaleza.

Marcelo Elias.

Chegou a hora Saturday, Feb 3 2007 

Depois de quatro anos de muita dedicação, chegou a hora de deixar a chefia da Alcatéia Lobo Guará do Grupo Escoteiro José de Anchieta, 11 DF.

Cheguei ao grupo para levar do Daniel, meu enteado, que estava com nove anos e eu e minha esposa achávamos importante que ele estivesse envolvido com alguma atividade interessante e construtiva. Como Cândice e eu fomos escoteiros, imediatamente pensamos em iniciá-lo no Movimento.

Por sugestão de minha sogra, chegamos ao GEJA. Como a Cândice estava grávida da Clara, eu levava o Daniel e ficava por alí, perto da sede do grupo. Às vezes fazia uma caminhada, às vezes pedalava, às vezes fazia nada.

Certo dia um dos chefes da Alcatéia me chamou para aplicar uma atividade para os meninos e depois para fazer parte da cerimônia da bandeira. Achei o máximo! A partir daí passei a participar das reuniões de planejamento, fiz cursos e atingi o nível básico.

Agora… a Cândice está grávida novamente e a Clara tem quatro anos. Não tem jeito. Tenho de me afastar. Tenho de trabalhar toda a semana, inclusive no sábado de manhã, não posso deixar a Cândice sozinha com a Clara e um nenê no sábado à tarde. O final de semana será o momento de deixar a Cândice descansar e eu curtir meus dois filhos.

Sei que não vou conseguir ficar completamente afastado. Como terei de ir ao grupo para deixar o Daniel e depois buscá-lo, vou acabar descendo, conversando com o lobinhos, com os chefes, com os pais, mas não terei o compromisso de participar de todas as atividades e de planejá-las durante a semana. Isso, na verdade, é o que mais demanda tempo.

Vou sentir falta, mas será muito bom para mim, para Cândice, para Clara e para o nenê. Quando a Clara estiver pronta para iniciar na Alcatéia, eu volto.

Melhor Possível.

Marcelo Elias – Baloo da Alcatéia Lobo Guará, GEJA, 11 DF.

“Comédia da vida privada” Saturday, Feb 3 2007 

O texto abaixo é uma crônica no estilo “Comédia da vida privada”. Todos os personagens e a história são fictícios. Divirtam-se.

A Família Castro

         Sr. Castro, aos 72 anos, é orgulhoso de seu sucesso. Não por ter construído um grande império industrial ou por ter sido um político influente, mas por ter vivido com saúde, honestidade e dignidade. Ele teve dois filhos e uma filha, todos formados em universidades federais, bem sucedidos profissionalmente e com família constituída.

        Castro criou seus filhos com certo conforto, mas acima de tudo com muita conversa, sinceridade e saúde – de corpo e alma. Sempre prezou pela boa educação, boa higiene e boa alimentação. A filosofia de vida de Castro com certeza foi bem entendida por seus filhos e ele sempre se alegra em ver toda a família reunida e unida em torno de pilares tão sólidos.

        O filho mais velho, Renato, tem 45, é engenheiro e se casou com uma nutricionista. Seus gêmeos Tito e Tita já estão na faculdade. Cresceram amando a família e seu estilo de vida. O pai, sempre calmo e de fala mansa, escuta os filhos e os aconselha sobre todos os assuntos. Renato tem consciência de que assumirá a posição do patriarca quando esse se for.

        O filho do meio é Thiago, 43, e quando mais jovem deu um pouquinho de trabalho para a família. Ele parecia não aceitar muito bem a filosofia da família. Envolveu-se com uma galera barra pesada e os pais desconfiaram de ele ter se envolvido com “aquilo”. “Aquilo”, aliás, era o maior medo da família. Sempre prezando por uma conduta reta e uma vida saudável, o envolvimento com “aquilo” era sinônimo de fracasso. Mas Thiago achou o caminho com a ajuda do irmão mais velho e hoje é um publicitário de sucesso.

        A mais nova é Karina, 40, dentista. Mora em um confortável apartamento com seu marido e filhos, Flavinho, Aninha e Filipe. O envolvimento do tio Thiago com “aquilo” era uma lenda entre os sobrinhos e Karina procurava manter seus filhos distantes do assunto. Inho (Flavinho), no entanto, constantemente perguntava a mãe sobre “aquilo” e ela sempre desconversava.Depois dos quinze anos, Inho começou a agir de forma estranha. Sua pele estava diferente, seu cheiro era diferente, seus olhos estavam mais arregalados. Ele parecia mais pilhado do que todos os irmãos e primos, seu comportamento era definitivamente diferente. “É só uma fase”, dizia o marido de Karina. Mas a fase não passava e seu comportamento anômalo parecia se agravar. Karina estava muito preocupada porque ela entendia o medo de seus pais “daquilo”. “Logo o meu filho…”, desesperava-se Karina, a menina, a mais nova, a mais dengada.

        O comportamento de Inho só piorava. Ele se trancava em seu quarto e quando alguém o chamava à porta ele demorava longos segundos para destrancar a porta. Saía de casa com freqüência, dizia que ia curtir com os amigos. Amigos esses que se portavam como ele, o que amedrontava Karina ainda mais.

- Meu filho, há algum problema com você?

- Como assim, mãe?

- Você está tão entranho, Inho…

- Que nada, mãe. Tô bem. Que mania a sua de procurar problema!

        Karina não se convenceu, mas respeitou as palavras de seu filho.

        Através dos meses a situação apenas piorava. Vô Castro se incomodava com o comportamento de Inho e o tio Renato tentou aconselha-lo, mas o sobrinho mais uma vez disse que não havia problema algum. Depois disso, Karina não agüentou. Aproveitou que Inho acabara de chegar da casa de um amigo e estava no banho, entrou em seu quarto e rapidamente procurou alguma coisa nos cantinhos das gavetas, em baixo das roupas, sob a cama… e achou! Dentro de um recipiente de plástico, havia um pedaço “daquilo”, bem embalado.

        Desespero total! Karina não sabia o que fazer. Imaginou-se contando para o Sr. Castro o que estava acontecendo com Inho. Imaginou sua vergonha. Ela não havia conseguido manter sua família no caminho reto e saudável. Contou a seu marido o que encontrou no quarto de Inho e resolveram conversar com o menino. Afinal, essa era a política da família: sinceridade e conversa.

- Inho, eu achei um pedaço… “daquilo” no seu quarto hoje.

- O quê?! Você estava mexendo nas minhas coisas?!

- Meu filho… eu não agüentava mais ver você desse jeito e tentei descobrir o que estava acontecendo. Desculpe-me, mas o que está acontecendo é mais grave do que eu mexer nas suas coisas.

- Mais grave! Mais grave do que você violar minha privacidade? Eu não estou fazendo nada de errado!

- Como não?! – exaltou-se Karina. Você está comendo carne!

        Após do grito da mãe, seguiu-se uma pausa avassaladora e Karina continuou:

- Depois de três gerações de pessoas macrobióticas nessa família, você se atreve a quebrar esse ciclo saudável de vida.

- Mãe, você e todos os outros dessa família já enfrentaram discriminação por seguirem esse estilo de vida, então, você não tem o direito de me discriminar… sim, eu como carne! – berrou finalmente Inho.

       

        Semanas de depressão se seguiram. Inho voltou a adotar a dieta da família até completar dezoito anos, quando saiu de casa. Às vezes liga, mas pouco sabem de sua vida.

        Hoje, toda a família evitar passar pela rua 15 de Novembro, na Zona Sul. Lá fica a Churrascaria do Inho.

Marcelo Elias