Os cantinhos da vida Thursday, Dec 28 2006 

Já tentou limpar a geladeira ou uma mesinha de plástico? E o móvel da TV ou o armário da cozinha? E o carro, então?!

É impossível atingir todos os cantos. Por fora ou pela frente tudo parece fácil, liso, plano e limpo, mas é só virar ou abrir que encontramos vários cantinhos, curvinhas, frestinhas, reentrâncias, buraquinhos, lugarezinhos impossíveis de se alcançar. Cotonete, pano com a ponta da faca, pincel, escovinha… nenhum instrumento chega em todos os cantinhos.

Será que os designers e engenheiros não pensam em facilitar nossa vida. Muitas vezes, como no caso de uma geladeira, é uma questão de higiene termos superfícies lisas e sem frestas ou reentrâncias para facilitar a limpeza.

Mas acho que isso tudo é uma reprodução da vida, né? Ao olharmos de fora as pessoas, os trabalhos, os problemas, tudo parece simples de se executar ou limpar ou conviver ou viver. Quando abrimos e vemos tudo de dentro… ahhhh… aí as coisas são diferentes. “De perto ninguém é normal”, já cantou Caê. Quando começamos a ver todas as curvinhas (metaforicamente, é claro!), as entranhas do ser, aí compreendemos o quanto é difícil viver.

Marcelo Elias.

Can you teach? Friday, Dec 22 2006 

“If a doctor, a lawyer, or a dentist had 40 people in his office at one time, all of whom had different needs, and some of whom didn’t want to be there and were causing trouble, and the doctor, lawyer, or dentist, without assistance, had to treat them all with professional excellence for nine months, then he might have some conception of the classroom teacher’s job.” Donald D. Quinn

I could not resist posting this quotation. It pretty much summarizes what it is to be in a classroom.

Marcelo Elias.

Vai ficar pior… Wednesday, Dec 6 2006 

Não sou pessimista, mas acho que essa confusão no controle aéreo brasileiro ainda vai piorar para depois melhorar.

Ninguém assume responsabilidade alguma e quem deve tomar alguma atitude não sabe de nada. Toda entrevista com o Ministro da Defesa é igual… ele não sabe do que o jornalista está falando ou a informação ainda não chegou até ele. O Presidente Lula, como sempre, não sabe de nada e está preocupado com seu ministério e em agradar todos os partidos da “coalisão” (falamos disso depois). O presidente da ANAC – Agência Nacional de Aviação Civil – acha que estão exagerando e que é seguro voar no Brasil… piada, né! O Brigadeiro da Aeronáutica quer prender os controladores para trabalharem – só falta ameaçar de mandá-los para o tronco!

Todos esses tem de ser demitidos, cometer arakiri, seja lá o que for, mas eles claramente não têm competência para resolver o problema.

O Presidente Lula disse que não pode se afobar e tomar decisões precipitadas. Se ele não agir logo, outras centenas de pessoas morrerão!

Já criaram e querem criar mais comissões para resolver o problema. Do jeito que a equipe do governo é eficiente, é capaz de criarem comissões com pessoas que não entendem nada de aviação civil.

O cenário claramente mostra que há muito para piorar até que algo comece a melhorar. Não há comando e os processos gerenciais são ineficientes. O único caminho é mais confusão.

As estradas não prestam… estradas de ferro não existem… transporte fluvial? O que é isso? Agora o transporte aéreo está esse caos. “E agora, José?”

Marcelo Elias.

Exploração? Sunday, Dec 3 2006 

Hoje precisei do seguro do carro. Nada muito sério, mas precisei chamar o serviço de emergência.

Por volta das 20h liguei para um número 0800, fui prontamente atendido e em menos de 3 minutos o atendente me informou que o mecânico estava a caminho.

Vinte minutos depois – 10 min antes do prazo dado pelo atendente – o mecânico cheguei. Em aproximadamente 8 minutos ele resolveu o problema e eu estava pronto para sair. O mecânico foi muito educado e eficiente.

Nesse momento o mecânico ligou para a central para informar que o chamado havia sido atendido e o problema resolvido. Daí, ele perguntou: “Posso ir para casa?” Em seguida um sorriso e desligou o telefone. Ele então me revelou que estava no serviço desde às 7h. Sete horas da manhã! E seu último atendimento terminou por volta de 20:30h.

Eu não perguntei e ele não me disse porque estava há tanto tempo de serviço, mas eu fiquei pensativo depois que ele foi embora.

A empresa de seguro é bem conceituada, os atendimentos por telefone e no local foram ótimos, meu problema foi resolvido, mas aquele rapaz estava há 13,5 horas trabalhando. Será que a empresa faz isso com todos seus funcionários? Será que o rapaz que me atendeu pelo telefone e a moça que trabalha na central de Brasília estavam há mais de 12h no ar?

Não gostei! O ideal é que apenas contratássemos serviços ou comprássemos produtos de empresas que são socialmente e ecologicamente responsáveis, que tratam bem seus funcioários, que pagam bem seus funcioários, que não utilizam trabalho escravo ou semi-escravo… mas isso é apenas o ideal.

Dizem que a Nike utiliza trabalho infantil e semi-escravo na Tailândia. Você já comprou um tênis Nike? Eu já… então já contribuímos com um regime sub-humano de trabalho.

Parece-me que esse é o princípio da mais valia, né? Eu sei que sou ‘vítima’ dele.  O rapaz que me atendeu certamente o é. Milhões e milhões de outros trabalhadores o são.

Que pena… não sei o que faria no lugar do empregador, com vários e vários impostos para pagar sem retorno de infra-estrutura ou benefícios. O que sei é que não gostei da minha reflexão.

Marcelo Elias.