No primeiro turno me senti um traidor. Cada candidato tinha uma linha política e ideológica (se é que tinha!) distinta. Dos cinco candidatos, dois foram eleitos: Deputado Distrital e Deputado Federal.
No segundo turno eu resolvi justificar meu voto. Preenchi o formulário mais ou menos assim:
Nome: Marcelo Elias
Título Eleitoral: XXXXXXXXXXXX
Justificativa para não votar: Infelizmente não conordo com as posturas ou programas (que programas?!) dos dois candidatos. Por isso, prefiro não votar. Acho que nenhum dos dois será bom para o Brasil e não quero alunar.
Daí, eu entreguei o formulário para o representante da Justiça Eeitoral, que leuminha justificativa. Em seguida o diálogo foi mais ou menos assim…
Justiça Eleitoral: Tudo bem que o senhor não concorde, mas o senhor está fora do seu domicílio eleitoral?
Marcelo Elias: Não. Eu moro nessa cidade mesmo e voto na seção 142, naquela sala alí!
JE: Então é só ir lá e votar, o senhor não precisa justificar.
ME: Mas eu não vou votar.
JE: Por que não?
ME: Minha justificativa está escrita.
JE: Mas se o senhor não está fora de seu domicílio eleitoral ou fisicamente impedido de votar, é só ir naquela sala.
ME: Eu estou ideologicamente impedido de votar. Eu quero justificar.
JE: Mas… peraí…
O moço chamou o delegado eleitoral da zona (que estava até bastante calma… zona mesmo foi o primeiro turno) e os dois discutiram longamente sobremeinha justificativa. Daí vieram até onde eu estava:
Delegado: Sr. Marcelo, o senhor não pode justificar.
ME: Por que não?
D: Porque o senhor não está fora de seu domicílio eleitoral ou doente. É só entrar naquela sala…
ME: Eu sei, mas eu não consigo votar nesses candidatos, eu estou moralmente incapacitado.
D: Essa justificativa não está prevista.
Lá fui eu… entrei na sala, entreguei meu título, me dirigi à cabine, apertei o número, fechei o olho e confirmei meu voto. Foi dolorido.
Eu poderia ter anulado, mas achei que não surtiria efeito tão interessante quanto justificar. Eu queria que minha justificativa segasse até um juiz eleitoral.
Mas é isso… foi doloroso.
Marcelo Elias.