Justificando o voto Monday, Oct 30 2006 

No primeiro turno me senti um traidor. Cada candidato tinha uma linha política e ideológica (se é que tinha!) distinta. Dos cinco candidatos, dois foram eleitos: Deputado Distrital e Deputado Federal.

No segundo turno eu resolvi justificar meu voto. Preenchi o formulário mais ou menos assim:

Nome: Marcelo Elias

Título Eleitoral: XXXXXXXXXXXX

Justificativa para não votar: Infelizmente não conordo com as posturas ou programas (que programas?!) dos dois candidatos. Por isso, prefiro não votar. Acho que nenhum dos dois será bom para o Brasil e não quero alunar.

Daí, eu entreguei o formulário para o representante da Justiça Eeitoral, que leuminha justificativa. Em seguida o diálogo foi mais ou menos assim…

Justiça Eleitoral: Tudo bem que o senhor não concorde, mas o senhor está fora do seu domicílio eleitoral?

Marcelo Elias: Não. Eu moro nessa cidade mesmo e voto na seção 142, naquela sala alí!

JE: Então é só ir lá e votar, o senhor não precisa justificar.

ME: Mas eu não vou votar.

JE: Por que não?

ME: Minha justificativa está escrita.

JE: Mas se o senhor não está fora de seu domicílio eleitoral ou fisicamente impedido de votar, é só ir naquela sala.

ME: Eu estou ideologicamente impedido de votar. Eu quero justificar.

JE: Mas… peraí…

O moço chamou o delegado eleitoral da zona (que estava até bastante calma… zona mesmo foi o primeiro turno) e os dois discutiram longamente sobremeinha justificativa. Daí vieram até onde eu estava:

Delegado: Sr. Marcelo, o senhor não pode justificar.

ME: Por que não?

D: Porque o senhor não está fora de seu domicílio eleitoral ou doente. É só entrar naquela sala…

ME: Eu sei, mas eu não consigo votar nesses candidatos, eu estou moralmente incapacitado.

D: Essa justificativa não está prevista.

Lá fui eu… entrei na sala, entreguei meu título, me dirigi à cabine, apertei o número, fechei o olho e confirmei meu voto. Foi dolorido.

Eu poderia ter anulado, mas achei que não surtiria efeito tão interessante quanto justificar. Eu queria que minha justificativa segasse até um juiz eleitoral.

Mas é isso… foi doloroso.

Marcelo Elias.

Um momento metafísico Friday, Oct 27 2006 

Eixo Monumental de Brasília, sentido Torre-Esplanada. 18:05h. Chuva. Engarrafamento. Sinal vermelho. Correria entre uma aula e outra. Tirei meus olhos e minha mente dessa cena e ganhei um presente.

Havia um arco-íris que dividia o céu. Do lado esquerdo, por cima da Rodoviária, da Esplanda, da Praça dos Três Poderes eu via o céu azul, com o sol ainda brilhando e algumas nuvens brancas. Do lado direito, sobre o Setor Hoteleiro Sul e o Setor Comercial Sul, tudo nublado e cinza, com nuvens carragadas.

Lindo! Emocionante!

Minha mente divagou. Sabe quando nos filmes uma personagem está presente em um acontecimento, mas o som do que acontece em volta é propositadamente diminuído e a visão da personagem é distorcida, focando visões muitas vezes irreais? Pois é… foi como me senti. Eu estava no carro, continuei dirigindo automaticamente, mas é como se eu tivesse isolado toda a cena e apenas visse aquela fantástica fotografia.

Será que alguém mais viu? Minha vontade era descer do carro e chamar a atenção de todos para aquilo. Eu queria que aquele moment fosse congelado, que todos parassem para venerar aquele espetáculo.

Bom… imagino que minha pobreza de palavras ou construções não sejam suficientes para descrever o que senti ou a própia cena. Por isso, cheguei em casa e procurei algo que pudesse expressar um pouco daquele momento. Achei!

 

Há metafísica bastante em não pensar em nada.

O que penso eu do mundo?

Sei lá o que penso do mundo?

Se eu adoecesse pensaria nisso.

Que ideia tenho eu das cousas?

Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos?

Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma

E sobre a criação do mundo?

Não sei. Para mim pensar nisso é fechar os olhos

E não pensar. É correr as cortinas

Da minha janela (mas ela não tem cortinas).

Alberto Caeiro

 

Vesperal

 

Tardes de ouro para harpas dedilhadas

Por sacras solenidades

De catedrais em pompa, iluminadas

Com rituais majestades.

 

Tardes para quebrantos e surdinas

E salmos virgens e cantos

De vozes celestiais, de vozes finas

De suridnas e quebrantos…

 

Quando através de altas vidraçarias

De estilos góticos, graves,

O sol, no poente, abre tapeçarias

Resplandecendo nas naves…

 

Tardes augustas, bíblicas, serenas,

Com silêncio de ascetérios

E aromas leves, castos, de açucenas

Nos claros ares sidéreos…

 

Tardes de campos repousados, quietos,

Nos longes emocionates…

De rebanhos saudosos, de secretos

Desejos vagos, errantes…

 

Ó Tardes de Beethoven, de sonatas,

De um sentimento aéreo e velho…

Tardes da antiga limpidez das pratas,

De Epístolas do Evangelho!…

Cruz e Sousa

… foi mais ou menos isso.

Marcelo Elias.

Spot do Colégio Leonardo da Vinci Friday, Oct 27 2006 

Não me conformo com o spot de rádio de um dos melhores colégios de Brasília. O Leonardo da Vinci, um dos mais conceituados centros de ensinos fundamental e médio da cidade, colocou no ar há vários meses um spot de rádio que eu acredito ir contra o momento político que vivemos.

A Justiça Eleitoral, os analistas políticos, a imprensa, os educadores insistem na importância de se votar com consciência e racionalidade. O spot de rádio da escola parece discordar. Inicialmente mostra-se um político – estilo Odorico Paraguassú – prometendo absurdos, como provas de vestubular mais fáceis ou primeiro lugar no vestibular para todos os candidatos. Em seguida, o narrador diz que se votarmos errado, teremos outra chance de consertar o erro em quatro anos, mas matricular nossos filhos em uma escola errada, não há conserto.

Poupe-me, né?! Pelamordedeus! Que besteira! (desculpem-me, não resisti! Acho realmente deseducadora a mensagem da propaganda)

É óbvio que matricular um filho em uma escola ruim traz conseqüências negativas e prejudiciais para o educando, mas isso não significa que sejam irreversíveis! Cada indivíduo é diferente e sofre efeitos diferentes dos acontecimentos da vida, mas um ano em uma escola ruim (para aquela criança!) não significa que ela nunca mais vai aprender. Tenho um exemplo em casa. Meu filho, de 14 anos agora, teve uma péssima experiência acadêmica e pessoal na quinta série. Uma escola com pouca preparação dos professores e coordenadores e colegas mal educados. Aquele ano acabou, meu filho estuda há três anos em outra escola e já esquecemos os ocorridos.

Além disso, mensalidades escolares são caríssimas e a grande maioria da população não pode matricular seus filhos na escola que gostaria ou que acha a melhor.

Por outro lado, um mau governo de quatro anos pode afetar várias gerações. Aumento de impostos, inflação, falta de investimentos em infra-estrutura… poderia enumerar centenas de ações que um governante toma em quatro anos e que levaria décadas para outro consertar.

Tome por exemplo a falta de investimento em infra-estrutura no Brasil associada à corrupção: estradas acabadas (e todas as suas más conseqüências para a economia e qualidade de vida da população), apagão, falta de escolas, hospitais em situação precária… WOW… Quanto tempo um governate sério levaria para consertar quatro anos de mau governo?

Não estudei no colégio Leonardo da Vinci, mas as referência que tenho são ótimas. Minha esposa estudou lá e tanto ela como seus pais falam bem da escola. Entretanto, coloco-me no lugar de um professor dessa institiuição, debatendo com os alunos a necessidade do voto consciente… que argumento o professor utilizará sabendo que a escola defende que o voto pode ser errado porque daqui há quatro anos teremos outra chance? Será que algum aluno ou pai de aluno dessa escola questionou a mensagem da propaganda?

Por favor, entendam-me. Não estou aqui defendendo matricular os filhos em qualquer escola, mas votar conscientemente. Estou dizendo que ambas as ações devem ser pensadas e cautelosas. Infelizmente o spot do colégio Leonardo da Vinci transmite a mensagem de que podemos votar de qualquer maneira. Que pena!

Marcelo Elias.

The larger, the better Friday, Oct 20 2006 

We cannot avoid teaching classes with 18, 20 or even 22 Ss nowadays. For our reality, these are large groups and this makes the complexity of classes increase.

As I see it, the technical and methodological aspects of class preparation and classroom management are very important. However, the affective aspects of the T-S relationship and the T’s conduct is crucial for a successful management of large groups. At least that’s what I’ve concluded from observing other teachers and after doing a lot of self evaluation.

What do you think of the topic? How difficult is it to you to deal with large groups? What tips can you share with other teachers to make this task easier?

Please also leave a comment at Cultura Inglesa’s blog.

Marcelo Elias.

É hoje! Sunday, Oct 1 2006 

Daqui há pouco estaremos digitando nossos votos. WOW! Digitando! Foi interessante escrever isso.

Apesar de achar um momento realmente interessante (isso é muito clichê!), acho que os resultados estão deveras previsíveis este ano… infelizmente.

Discuti com alguns alunos meus a seguinte frase:

“Se votar pudesse realmente mudar alguma coisa, ele seria ilegal.” (infelizmente não achei o autor).

E aí? Será mesmo? Às vezes acho que votar realmente não vai mudar nada, mas quando penso em nossa história, vejo um futuro promissor… só que um futuro muito distante, talvez para muitas gerações futuras. Talvez em outra vida eu viva em um Brasil menos desigual.

Bom voto para todos.

Marcelo Elias.